sábado, 23 de março de 2013

Empreguinho

Certa manhã, do mês  de setembro de 2010, ao abrir a minha caixa de e-mail's, havia este texto. 
Li, reli, dei aquela risadinha sem graça.....Pensei, vou imprimir, vou guardar... preciso repensar.
Sabe aquela situação em que você se percebe como caquinho....
Agora, tirei da gaveta. 
Vou compartilhar. 
E se você ainda, não se indignou hoje, por uma alguma causa nobre, está aqui uma boa, muito boaaaa.
Pois, ao ler em 2010 e ler agora estou engasgada, indignada, pasma....
Mas, diante do texto, acontece em mim ( não sei em você) um despertar; no meu olhar, na minha postura, nas minhas convicções. Ir a luta. 
Está aqui  uma boa causa, em que todo cidadão brasileiro deveria lutar em oposição.
Comentário: Rode Ribeiro

"Um sujeito vai visitar um amigo deputado federal e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho, que havia acabado de concluir o ensino fundamental através do processo de supletivo.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é bom! Disse o deputado.
- Quanto doutor?
- Um pouco mais de R$ 10.000,00...
- Dez Mil??? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber oque fazer com tudo isso, doutor. Não tem uma vaga mais modesta?
- Só se for para trabalhar na Assembléia. Meio período e eles estão pagando só R$ 7.000,00.
- Ainda é muito doutor. Isso vai acabar estragando o menino.
- Bom, então tenho uma de consultor. Estão pagando uns R$ 5.000,00, serve?
- Isso tudo? Ainda é muito, doutor. O Senhor não tem um emprego que pague uns R$ 1.500,00 ou até no máximo R$ 2.000,00 ???
- Ter até que eu tenho, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pó-graduação ou mestrado, bons conhecimentos em informática, domínio da língua portuguesa, fluência em inglês e espanhol e conhecimentos gerais... além do mais, ele terá que comparecer ao emprego todos os dias e cumprir todo o horário. Suportar até 45 pessoas de uma só vez, aguentar atitudes de desrespeito (deles e de seus superiores) xingamentos e ameaças, levar trabalho para casa,não ter salário atualizado todo ano, e se sair as ruas para protestar em luta contra por isso, poderá sofrer represália da polícia militar.
- Mas então o que ele será?
-Professor de escola pública; é o emprego que paga a quantidade que o senhor citou."

Autor: Desconhecido.



Não somos os melhores

A vida repartida dia a dia, com quem vinha querendo que a vida,  pudesse um dia ser vida.
Posso dizer, que alguma coisa aprendi ( primeiro com amargura, depois com essa dolorida lucidez que nos ensina a ver nossa feiura).


Aprendi, por exemplo, que não somos os melhores. Custou, mas aprendi.

Tempo largo levei para enxergar que era puro desamor a chama que crescia no olhar do companheiro.


Não somos nem melhores nem piores.

Somos iguais.
Melhor é a nossa causa.
Todos os que chegamos dessas águas barrentas e burguesas, para dar ( pouco soubemos dar) uma demão na roda e transformar a vida injusta dos que conhecem mesmo a banda podre, mostramos a nós mesmos, mais que aos outros a face verdadeira que levamos.
  
É repetir: melhor é a nossa causa.
Mas no viver da vida, vida mesmo, quando é impossível disfarçar, quando não se pode ser nada mais, do que o homem que a gente é mesmo, na prática cotidiana da chamada vida, que é a verdadeira prática do homem, somos sempre e somente como os outros, e muitas vezes como os piores dos outros, os que estão do outro lado, os não querem, nem podem, nem pretendem mudar o que precisa ser mudado para que a vida possa um dia ser mesmo vida, e para todos.

Vento Geral
De: Thiago Melo

Acerolas

quarta-feira, 20 de março de 2013

Os acrobatas

Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com posse física dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.

Subamos! Como dois atletas

O rosto petrificado
No pálido sorriso de esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.

Oh', acima

Mas longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!

Pela corda luminosa

Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos 
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!

Tu e eu, herméticos

as nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta

Como no espasmos.


e quando

Lá em cima
Além, mais longe que acima do além
adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus

Num último impulso

Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.

E morreremos

Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.

MORAIS, Vinicius de. Antologia poética.Companhia das Letras,2009. São Paulo. Pág.. 122 e 123.